domingo, 24 de janeiro de 2010

:x

Porque as coisas não são sempre como desejamos! Porque tudo parecer não fazer sentido! Porque 'todos' teimam em fazer o mesmo! Porque nada parecer mudar! Porque lá no fundo e por mais tempo que isso demore, as coisas vão todas dar ao mesmo, vão todas desiludir-me, magoar-me. Porque simplesmente sempre foi assim! E há de continuar a ser!
Mas eu luto, e por mais que me rebaixem e me digam que sonho alto, eu sei que irei atingir tudo aquilo que quero!
Porque sei que um dia todos se irão arrepender! E nessa altura já será tarde demais, nessa altura já estarei bem o suficiente para não precisar deles!
Porque sei que deixei para trás uma pessoa que não merecia, porque sei que agora estou a tentar recuperar uma amizade que merece toda a minha atenção. Porque te dou imenso valor e já passámos muito juntas, porque te limpei as lágrimas numa altura em que tudo estava contra ti, porque sei que a partir desse momento nunca mais me largas-te a mão! Porque até hoje me proteges! Porque hoje já tive 2 beijinhos teus!

Porque simplesmente não estou bem e ninguém parece perceber isso!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Boneca


Devem estar a pensar quem sou eu e o que faço aqui. Sou apenas mais um brinquedo que prefere ser doida, a viver num mundo onde sou incompreendida e desprezada. Um mundo onde ninguém se respeita, nem faz nada para que isso mude.
Mas não estou aqui para falar de mim. Estou aqui para falar da menina. Desconfio que não haja aqui muita gente a gostar dela. Quem a vê e a ouve acha que não passa de uma menina mimada. Uma menina mimada que por ter tudo não dá valor a nada. Uma menina mimada que nos maltrata a todos nós como se em nós não houvesse o afecto e o carinho de quem os deu.
Nós não somos brinquedos felizes...claro que não somos brinquedos felizes. Gostaríamos que outras mãos nos tocassem, que outras bocas nos falassem baixinho, como quem conta um amor em segredo mas...
Já olharam bem para ela? Repararam quantas lágrimas saltaram dos seus olhos como se a sua alma gritasse de tristeza?
Nós somos infelizes, e ela, ela é feliz?
Desde muito pequenina que dizia querer ser cantora e bailariana. Agora digam-me lá, há algum mal em querer ser cantora e bailarina? Há algum mal em pôr a vibrar de emoção toda a gente que assistisse aos seus espectáculos?
Assim, fechava-se no quarto e como se o seu quarto se transformasse no maior palco do mundo, rodopiava, rodopiava, cantava, ouvia palmas e mais palmas, dançava novamente porque ninguém queria que o espectáculo acabasse. E como o seu espelho lhe dizia que ela dançava bem.
Mas o seu quarto não é o mundo e os sonhos morreram. Quem os matou? Quem tudo fez para que a cantora não crescesse, para que a bailariana não crescesse? Ninguém adivinha, pois não? Mas eu digo. Foi sua mãe. Sua mãe não pôde ser pianista porque a avó não deixou e transpôs para a menina  os sonhos que ela não cumpriu.
 Já viram que história mais triste: ela não pode ser cantora e bailarina por causa da mãe, que não pôde ser pianista por causa da avó? Será que algum dia esta família chegará à terra prometida dos sonhos?
Já perceberam porque a menina não é feliz? Ninguém é feliz quando não se é livre porque a liberdade é o chão onde cresce a esperança.
A menina não passa de um brinquedo, igual a todos nós, igual a todos vós...
Já pensaram que até vocês não passam de brinquedos? Já pensaram que a vossa vida está cheia de fios puxados por mãos invisíveis, por mãos daqueles que vos querem transformar em marionetes, em seres sem vontade própria, que vão atrás da vontade dos outros? Não, não falo só nos vossos pais, falo de quem vos rodeia, da sociedade que vos obriga a ser igual a todos como se fossemos apenas números, apenas brinquedos desprovidos de sentimentos e de vida própria. Falo de políticos, de religiosos...Já pensaram nisso? Pensem nisso, e espero que agora a olhem de outra maneira, que vejam que apesar de ela ter tudo, não é feliz, e porquê? Porque não pode fazer o que mais gosta, realizar os seus sonhos, não pode ser cantora e bailarina.

por: Cristina Portugal e Elodie Alves,  "A Revolta dos Brinquedos" *.*